forum

Seja bem-vindo ao site oficial do Fórum da Igreja Católica no RS

Diocese de Bagé: um pouco de sua história

Pe. Alex Kloppenburg

            A Diocese de Bagé foi criada no dia 25 de junho de 1960, pelo Papa João XXIII. Abrangia os municípios de Bagé, Pinheiro Machado e Lavras do Sul, desmembrados da Diocese de Pelotas, e Sant´Ana do Livramento, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Cacequi, São Vicente do Sul, Mata e São Gabriel, desmembrados da Diocese de Uruguaiana.

Sé de Bagé

Catedral de São Sebastião


            Em 25 de março de 1961, é nomeado o primeiro Bispo de Bagé, Dom José Gomes, que era do clero de Passo Fundo. Ele é ordenado em 25 de junho, em Passo Fundo, tomando posse em 16 de julho do mesmo ano, permanecendo até 30 de outubro de 1968, quando é transferido pra Chapecó, SC. Pe. Tarcísio Utzig é eleito Administrador Diocesano.

            Em 31 de janeiro de 1969, o Papa Paulo VI nomeia Dom Ângelo Feliz Mugnol, auxiliar de Pelotas, como bispo de Bagé, assumindo dia 27 de março.

            Com o câncer de Dom Ângelo, João Paulo II nomeia em 10 de fevereiro de 1982 bispo coadjutor de Bagé o padre carlista Laurindo Guizzardi, que estava exercendo seu ministério em Curitiba, Pr. No dia 12 de fevereiro morre Dom Ângelo. É eleito Administrador Diocesano o Monsenhor Pedro Protásio Wastowski. Dom Laurindo é ordenado bispo dia 18 de abril, em Nova Bassano, sua cidade, e toma posse no dia 25 de abril.

            Em 28 de novembro de 2001, o Papa João Paulo II transfere D. Laurindo para Foz do Iguaçu, Pr, onde toma posse no dia 3 de março de 2002, ficando a Diocese de Bagé mais uma vez vacante. O Colégio dos Consultores elege o Pe. Alex José Kloppenburg como Administrador Diocesano.

            No dia 11 de dezembro de 2002, João Paulo II nomeia D. Gilio Felício, então bispo auxiliar em Salvador, na Bahia, como Bispo Diocesano de Bagé, que tem como lema “Evangelizar a todos”. Ele toma posse em 9 de março de 2003.

São 16 Paróquias:
         A Diocese de Bagé possui atualmente 16 paróquias, que elencamos, com suas respectivas datas de criação, por ordem de existência:

  1. Arcanjo São Gabriel, São Gabriel: 23/12/1837.
  2. São Sebastião, Bagé: 05/06/1846.
  3. Santo Antônio, Lavras do Sul: 13/11/1846.
  4. Sant´Ana, Livramento: 07/08/1847.
  5. Nossa Senhora da Luz, Pinheiro Machado: 17/01/1857.
  6. Nossa Senhora do Patrocínio, Dom Pedrito: 03/12/1859.
  7. Nossa Senhora do Rosário, Rosário do Sul: 15/12/1859.
  8. Nossa Senhora Auxiliadora, Bagé: 25/05/1919.
  9. Santa Teresinha, Livramento: 03/10/1959.
  10. Nossa Senhora do Rosário, Livramento: 04/10/1959.
  11. São José, Hulha Negra: 08/10/1959.
  12. São Pedro, Bagé: 03/03/1963.
  13. Nossa Senhora da Conceição, Bagé: 29/03/1970.
  14. São Judas Tadeu, Bagé: 28/10/1978.
  15. Sagrado Coração de Jesus, Candiota: 04/02/1982.
  16. Sagrada Família, Bagé: 02/09/1984.

Realidade Histórica:

         A fé e a religião chegaram à região da fronteira nos séculos 17 e 18. Os primeiros foram os padres jesuítas e os índios guaranis, que ali tinham suas estâncias para criação de gado. Junto, traziam seus santos e suas devoções, tendo construído inclusive capelas, como a de Santo André dos Guenoas, nos limites de Bagé e Dom Pedrito.

            Na região de São Gabriel, encontrou-se nos campos de Canto Galo uma pequena estatueta com a imagem de Nossa Senhora Conquistadora, o que mostra que os guaranis traziam consigo seus padroeiros. Nos campos de Caiboaté, na célebre e famigerada batalha que dizimou os índios, no dia 10 de fevereiro de 1756, conta-se que os mesmos estavam rezando a ladainha quando foram atacados pelas tropas portuguesas e espanholas.

            Mas os municípios e aglomerados urbanos só surgiram nos inícios do século 19, quando da fixação das fronteiras do Brasil. Para cá vieram militares, criadores de gado, comerciantes e aventureiros. Ao contrário das regiões coloniais de nosso Estado, o eixo que conduzia a população não era o religioso. Por isso, nem sempre havia a preocupação em se construir uma Igreja, uma escola ou salões comunitários. Os interesses eram outros e o que estimulava os primeiros moradores era a conquista do território, surgindo as sesmarias, local de criação de gado mas também ponto estratégico de defesa. O comércio de fronteira também era motivação, com a facilidade do contrabando.

            Somente no século 19 surgem as primeiras Freguesias (Paróquias), sendo a primeira São Gabriel, em 1837. Aqui se construíram muitas sociedades e clubes (no século 19) e Centro de Tradições Gaúchas, CTGs (no século 20).

            Esta região foi palco de muitos conflitos e revoluções, como a Guerra dos Farrapos (1835-1845), a Guerra do Paraguai teve muitos combatentes da região, a Revolução Federalista de 1983-95 e a Revolução de 1923-25. Por isso, nosso fronteira possui muitos quartéis.

            Região de charqueadas e poucas indústrias. Tudo9 isso levou a se criar uma cultura: a solidão dos campos, o individualismo. Nos campos e nas revoluções permaneciam os homens. As mulheres ocupavam-se mais com as assuntos caseiros e religiosos, circunstância que levou a mentalidade de que “religião é coisa pra mulher e criança”.

            Também essa região recebeu forte influência da doutrina positivista, que era anticlerical, da maçonaria (São Gabriel tem uma das primeiras Lojas Maçônicas do Brasil, a Rocha Negra) e do espiritismo. Por isso, ao fazermos evangelização hoje, no século 21, não podemos esquecer nossa história, que continua influenciando a mentalidade. Isto explica o índice de mais de 10% da população declarar-se sem religião (cf. Censo do IBGE 2000).

            A educação começa a criar importância no século 20, com a vinda de congregações religiosas: Salesianos (1904 - Bagé), Maristas (Livramento e São Gabriel), Irmãs do Horto (1908 -  Dom Pedrito e mais tarde em Rosário do Sul), Teresianas (Livramento), Irmãs de Santa Catarina  Virgem e Mártir (São Gabriel), Franciscanas (Bagé) e Irmãs do Coração de Maria (Bagé).

            Hoje, temos uma realidade diversificada, com a agricultura, principalmente do trigo (no passado), leite, arroz, soja e plantio de sementes, surgindo forte a fruticultura. Com isso, vieram para a região muitos descendentes de imigrantes, especialmente alemães e italianos, e mais recentemente colonos sem terra, ligados ou não ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, com de aproximadamente 100 assentamentos, especialmente em Hulha Negra, Candiota, Aceguá, Pinheiro Machão, Livramento, São Gabriel e Rosário do Sul. E agora surge o perigo do monocultivo do Eucalipto e do Pinus, com o reflorestamento, que vai mudar a região.

            Também não podemos esquecer que a Metade Sul, da qual fazemos parte, empobreceu muito especialmente nos últimos 50 anos, o que trouxe como conseqüência o aumento nos índices de indigência e miserabilidade (cerca de 30% da população), mortalidade infantil, prostituição, migração para centros mais industrializados, analfabetismo, fome, concentração de renda e êxodo rural.

            Tudo isso, associado a uma frágil vivência da fé, trouxe o aumento das novas igrejas, como os grupos evangélicos pentecostais e neopentecostais, e o alto índice dos que se declaram sem nenhuma religião, isto é, sem vinculação a nenhuma Igreja, fazendo assim uma religião conforme sua imagem e à semelhança de seus interesses.

Textos publicados no Boletim Participação, da Diocese de Bagé, Março 2003, n.º 136, e Novembro 2003, n.º 144.
           




.:: Página Anterior ::.