Diocese de Bagé: um pouco de sua história
Pe. Alex Kloppenburg
A Diocese de Bagé foi criada no dia 25 de junho de 1960, pelo Papa João XXIII. Abrangia os municípios de Bagé, Pinheiro Machado e Lavras do Sul, desmembrados da Diocese de Pelotas, e Sant´Ana do Livramento, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Cacequi, São Vicente do Sul, Mata e São Gabriel, desmembrados da Diocese de Uruguaiana.

Catedral de São Sebastião
São 16 Paróquias:
A Diocese de Bagé possui atualmente 16 paróquias, que elencamos, com suas respectivas datas de criação, por ordem de existência:
Realidade Histórica:
A fé e a religião chegaram à região da fronteira nos séculos 17 e 18. Os primeiros foram os padres jesuítas e os índios guaranis, que ali tinham suas estâncias para criação de gado. Junto, traziam seus santos e suas devoções, tendo construído inclusive capelas, como a de Santo André dos Guenoas, nos limites de Bagé e Dom Pedrito.
Na região de São Gabriel, encontrou-se nos campos de Canto Galo uma pequena estatueta com a imagem de Nossa Senhora Conquistadora, o que mostra que os guaranis traziam consigo seus padroeiros. Nos campos de Caiboaté, na célebre e famigerada batalha que dizimou os índios, no dia 10 de fevereiro de 1756, conta-se que os mesmos estavam rezando a ladainha quando foram atacados pelas tropas portuguesas e espanholas.
Mas os municípios e aglomerados urbanos só surgiram nos inícios do século 19, quando da fixação das fronteiras do Brasil. Para cá vieram militares, criadores de gado, comerciantes e aventureiros. Ao contrário das regiões coloniais de nosso Estado, o eixo que conduzia a população não era o religioso. Por isso, nem sempre havia a preocupação em se construir uma Igreja, uma escola ou salões comunitários. Os interesses eram outros e o que estimulava os primeiros moradores era a conquista do território, surgindo as sesmarias, local de criação de gado mas também ponto estratégico de defesa. O comércio de fronteira também era motivação, com a facilidade do contrabando.
Somente no século 19 surgem as primeiras Freguesias (Paróquias), sendo a primeira São Gabriel, em 1837. Aqui se construíram muitas sociedades e clubes (no século 19) e Centro de Tradições Gaúchas, CTGs (no século 20).
Esta região foi palco de muitos conflitos e revoluções, como a Guerra dos Farrapos (1835-1845), a Guerra do Paraguai teve muitos combatentes da região, a Revolução Federalista de 1983-95 e a Revolução de 1923-25. Por isso, nosso fronteira possui muitos quartéis.
Região de charqueadas e poucas indústrias. Tudo9 isso levou a se criar uma cultura: a solidão dos campos, o individualismo. Nos campos e nas revoluções permaneciam os homens. As mulheres ocupavam-se mais com as assuntos caseiros e religiosos, circunstância que levou a mentalidade de que “religião é coisa pra mulher e criança”.
Também essa região recebeu forte influência da doutrina positivista, que era anticlerical, da maçonaria (São Gabriel tem uma das primeiras Lojas Maçônicas do Brasil, a Rocha Negra) e do espiritismo. Por isso, ao fazermos evangelização hoje, no século 21, não podemos esquecer nossa história, que continua influenciando a mentalidade. Isto explica o índice de mais de 10% da população declarar-se sem religião (cf. Censo do IBGE 2000).
A educação começa a criar importância no século 20, com a vinda de congregações religiosas: Salesianos (1904 - Bagé), Maristas (Livramento e São Gabriel), Irmãs do Horto (1908 - Dom Pedrito e mais tarde em Rosário do Sul), Teresianas (Livramento), Irmãs de Santa Catarina Virgem e Mártir (São Gabriel), Franciscanas (Bagé) e Irmãs do Coração de Maria (Bagé).
Hoje, temos uma realidade diversificada, com a agricultura, principalmente do trigo (no passado), leite, arroz, soja e plantio de sementes, surgindo forte a fruticultura. Com isso, vieram para a região muitos descendentes de imigrantes, especialmente alemães e italianos, e mais recentemente colonos sem terra, ligados ou não ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, com de aproximadamente 100 assentamentos, especialmente em Hulha Negra, Candiota, Aceguá, Pinheiro Machão, Livramento, São Gabriel e Rosário do Sul. E agora surge o perigo do monocultivo do Eucalipto e do Pinus, com o reflorestamento, que vai mudar a região.
Também não podemos esquecer que a Metade Sul, da qual fazemos parte, empobreceu muito especialmente nos últimos 50 anos, o que trouxe como conseqüência o aumento nos índices de indigência e miserabilidade (cerca de 30% da população), mortalidade infantil, prostituição, migração para centros mais industrializados, analfabetismo, fome, concentração de renda e êxodo rural.
Tudo isso, associado a uma frágil vivência da fé, trouxe o aumento das novas igrejas, como os grupos evangélicos pentecostais e neopentecostais, e o alto índice dos que se declaram sem nenhuma religião, isto é, sem vinculação a nenhuma Igreja, fazendo assim uma religião conforme sua imagem e à semelhança de seus interesses.
Textos publicados no Boletim Participação, da Diocese de Bagé, Março 2003, n.º 136, e Novembro 2003, n.º 144.