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História da Diocese de Frederico Westphalen

Dom Zeno Hastenteufel

     Quando se tratou de criar a Diocese de Santo Ângelo, pensou-se em anexar a ela a parte norte da Diocese de Santa Maria. Então Dom Luiz Vitor Sartori reagiu e apresentou a proposta de mais adiante criar a diocese de Frederico Westphalen.

     Isto foi relatado ao Núncio Apostólico, que informou à Santa Sé que houve por bem observar que a diocese proposta fosse criada de imediato, tomando de surpresa o bispo santa-mariense, que não a pode evitar, visto ter sido proposta por ele mesmo, embora sua intenção fosse de obtê-la uns 8 anos mais tarde[1].

     Sem preparação próxima, quase de surpresa, a imprensa escrita e falada trouxe veloz a notícia de que a 21 de maio de 1961, Sua Santidade o Papa João XXIII, pela Bula "Haud parva", criava a Diocese de Frederico Westphalen, com sede Catedral na Igreja Matriz de Santo Antonio, da mesma cidade, desmembrando-a, na sua maior parte, da diocese de Santa Maria (com 20 paróquias) e parte da diocese de Passo Fundo (com 3 paróquias).

     À nova diocese ficaram pertencendo 11 municípios: Frederico Westphalen, Campo Novo, Crissiumal, Humaitá, Iraí, Palmeira das Missões, Santo Augusto, Seberí, Tenente Portela, Constantina e Nonoai.

     A área da nova diocese seria de 11.457 km2, com cerca de 320.000 habitantes. Mais de 85% da população, seria de religião católica. Está, em primeiro lugar, a população de origem italiana, seguindo-se a de origem alemã, os luso-brasileiros, os de origem polonesa e outras minorias, entre eles, cerca de 3.000 índios caigangues e alguns guaranis.
A nova diocese está situada na parte norte do Estado, abrangendo a região delineada pelos rios Passo Fundo, Uruguai e Inhancorá, ocupando a faixa do antigo sertão do médio Alto Uruguai e os Campos de Palmeira.

     No tempo da fundação, na nova diocese, achavam-se 23 paróquias, canonicamente eretas, que são as seguintes, na ordem de sua criação: Palmeira das Missões, Nonoai, Frederico Westphalen, Constantina, Iraí, Crissiumal, Três Passos, Santo Augusto, Seberí, Tenente Portela, Liberato Salzano, Rodeio Bonito, Braga, Tiradentes, Humaitá, São Martinho, Caiçara, Planalto, Alpestre, Taquaruçu do Sul, Palmitinho, Campo Novo e Jaboticaba.

Solene instalação e posse do primeiro Bispo

     A 26 de março de 1962, o Papa João XXIII nomeava o primeiro Bispo para a Diocese de Frederico Westphalen, na pessoa do Mons. João Hoffmann, até então Vigário Geral de Passo Fundo.
Dom João Hoffmann foi ordenado Bispo, na Catedral de Passo Fundo, a 10 de junho de 1962, pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi.

     A posse solene e festiva foi marcada para o dia 24 de junho de 1962. Com a cidade em festa, na presença de ingente multidão de fiéis, de numeroso clero, e a presença do Arcebispo Dom Vicente Scherer, e dos bispos Dom Luiz Vitor Sartori, Dom Cláudio Colling, Dom José Gomes e de Dom Aloísio Lorscheiter, do Representante do Governador do Estado, o novo Bispo rezava o solene Pontifical, no qual Dom Vicente Scherer, representando o Núncio Apostólico, dava posse ao novo Bispo, Dom João Hoffmann.

     O novo Bispo era natural de Joaneta, município de São Leopoldo, nascido a 24 de junho de 1919, filho de Frederico Hoffmann e Isabel Seibel. A família havia se transferido para Selbach, na diocese de Santa Maria. Estudou nos Seminários de Santa Maria e São Lepoldo. Foi ordenado sacerdote a 19 de dezembro de 1943 por Dom Antonio Reis. Como padre ocupou os seguintes cargos: Vigário Paroquial em Carazinho, Pároco de Tapera, Chanceler do Bispado, Cônego do Cabido e Vigário Geral de Passo Fundo.

     Transferência de Dom João Hoffmann para a diocese de Erechim. A notícia veio em fins de maio de 1971. Continuou na diocese até a posse de Dom Bruno, acontecida a 31 de julho de 1971. E, no dia 01 de agosto, Dom João tomava posse na diocese de Erechim, onde permaneceu como Bispo Diocesano e depois como bispo emérito, até que a morte o chamou no dia 27 de junho de 1998.

O 2º Bispo de Frederico Westphalen

     Por Bula de 27 de maio de 1971, a Santa Sé transferiu da Sé titular de Águas da Mauritânia e Auxiliar de São Paulo, Dom Bruno Maldaner para ser o segundo Bispo de Frederico Westphalen. A posse foi marcada para o dia 31 de julho de 1971.

     De Seberí, o Sr. Bispo, com longa caravana de carros, rumou para a cidade episcopal, onde aguardava grande multidão de povo. Estavam presentes os Bispos Dom Cláudio Colling, Dom Augusto Petró, Dom João Hoffmann, Dom Érico Ferrari, Dom José Thurler (auxiliar de São Paulo), Mons. Frederico Didonet, bispo eleito de Rio Grande. Deputado Otávio Germano representava o Sr. Governador do Estado.

     Dom Bruno Maldaner nasceu a 04 de agosto de 1924, em Pinhal Alto, atual município de Nova Petrópolis. Estudou nos seminários de Gravataí, São Leopoldo e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado sacerdote, em Roma a 8 de dezembro de 1950, pelo Cardeal Bento Aloisi Masella, antigo Núncio do Brasil.

     Em Porto Alegre, foi Vigário Paroquial de São Sebastião, Santo Antonio do Pão dos Pobres, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora dos Navegantes, professor no Seminário de Gravataí e professor de introdução à teologia na PUC de Porto Alegre. De 1956 a 1965 trabalhou na Nunciatura Apostolica do Rio de Janeiro, recebendo o título de Monsenhor em 1958. A 15 de abril de 1966 foi nomeado pelo Papa Paulo VI Bispo titular de Águas de Mauritania e Auxiliar do Cardeal Agnelo Rossi, arcebispo de São Paulo.

     Foi ordenado pelo mesmo Cardeal, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, a 29 de junho de 1966. Transferido para Frederico Westphalen a 27 de maio de 1971, tomou posse a 31 de julho de 1971.

Dom Zeno Hastenteufel [2] - 3º Bispo de Frederico Westphalen.

     Nomeação: a 12 de dezembro de 2001, o Papa João Paulo II publicava a seguinte Bula de nomeação:
"JOÃO PAULO SEGUNDO, Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao dileto filho Zeno Hastenteufel, sacerdote da Sé Metropolitana de Porto Alegre e ali mesmo docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, eleito Bispo de Frederico Westphalen, saúde e Bênção Apostólica.
Como sucessores de São Pedro, esforçamo-nos com grande solicitude para cuidar do bem de todas as Igrejas Particulares. Devendo, agora, ser nomeado o Bispo que deverá coordenar toda a vida eclesial da diocese de Frederico Westphalen, neste mesmo dia vaga pela renúncia do Venerável irmão Bruno Maldaner, tu, dileto filho, ornado de egrégios dotes e perito na atividade pastoral, pareces idôneo para dirigi-la.

     Por isso, por conselho da Sagrada Congregação para os Bispos, pelo Nosso Poder Apostólico, te constituímos Bispo de Frederico Westphalen, atribuindo-te todos os direitos e impondo-te todas as obrigações. Permitimos que recebas a ordenação de qualquer Bispo católico, fora da cidade de Roma, observadas as leis litúrgicas. Porém, antes farás a profissão de fé católica e prestarás o juramento de fidelidade para conosco e nossos sucessores, diante de qualquer Bispo de reta fé, e remeterás as fórmulas usadas à referida Congregação.

     Queremos também que estas Letras se tornem conhecidas ao clero e ao povo da mesma Diocese e os exortamos a que te recebam de boa vontade e permaneçam unidos contigo.

     Finalmente, dileto Filho, sob os auspícios de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira caríssima da nação brasileira, invocamos sobre ti os dons do Espírito Paráclito, com cujos auxílios possas apascentar os fiéis confiados aos teus cuidados, impelido com máxima caridade, conforme os dizeres de Santo Agostinho: "Onde é maior o amor, menor será a fadiga" (Sermão 340,1; Patrologia Latina, 38, 1483).

     A paz de Cristo esteja sempre contigo e com a comunidade eclesial de Frederico Westphalen, que através de ti abençoamos com benevolentíssima afeição.

Dado em Roma, junto a São Pedro, aos 12 do mês de dezembro, no ano do Senhor de dois mil e um, vigésimo quarto de nosso Pontificado.
João Paulo Segundo, Papa".

     Posse do 3º Bispo: Dom Zeno Hastenteufel, tendo sido ordenado, a 08 de março de 2002, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, por Dom Dadeus Grings, Dom Bruno Maldaner e Dom Eduardo Benes Salles Rodrigues, com a participação de Dom Hercílio Pedro Simon, Dom Girônimo Zanandrea, Dom Osvino Both, Dom Ivo Lorscheiter, Dom Sinésio Bohn, Dom Estanislau Kreutz, Dom Irineu Wilges, Dom José Mario Stroeher e Dom Clemente Weber, tomou posse na Catedral de Frederico Westphalen, na tarde de 17 de março de 2003, com a participação de uma imensa multidão, com representantes de todas as paróquias da diocese e com a presença de todos os padres que trabalham na diocese.

Seminário Diocesano

[1] Cf. RUBERT, A. A Diocese de Frederico Westphalen, Canoas, Editora La Sale, 1972.
[2] Dom ZENO HASTENTEUFEL, nascido em Linha Rodrigues da Rosa, município de Montenegro, ordenado sacerdote do clero da Arquidiocese de Porto Alegre, aos 08 de julho de 1972, tendo sempre trabalhado na cidade de Porto Alegre, nas paróquias de São Pedro, Santo Antônio do Pão dos Pobres, São Vicente Mártir e São Sebastião.

     Desde o dia 12 de dezembro de 2001, bispo nomeado de Frederico Westphalen. Formado em Filosofia na Faculdade Imaculada Conceição de Viamão, em 1970. Formado em Teologia no Instituto de Teologia e Ciências Religiosas na PUC, em 1972. Mestrado na Universidade Gregoriana de Roma. Doutorado na Universidade Gregoriana de Roma, com dissertação e defesa pública de tese, sobre Dom Feliciano na Igreja do Rio Grande do Sul. Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, durante 29 anos... mas, especialmente nos últimos 18 anos, como professor de História da Igreja e Cultura Religiosa. Professor do Seminário de Viamão, de 1987 até 2000. Tem oito livros publicados, entre os quais destacamos o último que é um esforço no sentido de mostrar como falar de Deus para os nossos jovens. Trata-se do livro O Catecismo ao alcance de todos...


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