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História da Diocese de Santa Cruz do Sul

Pe. Roque Hammes

      A história da Diocese de Santa Cruz começou com os missionários jesuítas, que estabeleceram reduções nos municípios de Candelária (Redução Jesus Maria) e Rio Pardo (Redução São Cristóvão), nos anos de 1633 e 1634. Seguiram-se os capelães militares junto ao Forte dos Dragões em Rio Pardo, a partir de 1740. Com a chegada dos açorianos em 1748, que além de Rio Pardo ocuparam as regiões de Mariante, Venâncio Aires, Lajeado e Arroio do Meio, vieram diversos sacerdotes. A primeira paróquia fundada no território que atualmente abrange a Diocese de Santa Cruz, em 1764, foi “Santo Ângelo de Rio Pardo”, designada, posteriormente, de “Nossa Senhora do Rosário”. Na oportunidade, todo o Rio Grande do Sul pertencia à Diocese do Rio de Janeiro, sendo que somente em 1848, com o Papa Pio IX, foi erigido o &bispado de São Pedro do Rio Grande do Sul. Como bispo da nova diocese foi nomeado o pároco da Paróquia Santa Bárbara de Encruzilhada do Sul, Dom Feliciano José Rodrigues Prates.

     Com a colonização açoriana vieram as irmandades e confrarias, cujo objetivo primordial era “garantir as orações aos confrades e assistir aos agonizantes e defuntos pobres, já que só os ricos tinham procissões fúnebres solenes e podiam pagar por missas perpétuas” (João Batista Costa Sobrinho, in: Documento de Estudo em preparação à 1ª Conferência Nacional dos Leigos de 2000, p. 26).

     Em 1849 chegaram os primeiros imigrantes alemães a Santa Cruz do Sul. No mesmo ano vieram os primeiros padres de língua alemã (padres jesuítas) para o sul do Brasil. Como esteios tinham a família, a escola particular e confessional, a comunidade paroquial e a imprensa católica.

      Em 1882 chegaram os primeiros imigrantes italianos para a região de Encantado. Sua primeira iniciativa coletiva era a construção de uma capela. Ao seu lado se providenciava a construção de um espaço para o lazer, sendo que nos domingos de tarde a comunidade se reunia para rezar e se divertir. Por falta de sacerdotes para presidir suas rezas, “escolhiam o mais sábio dentre eles para exercer a função de padre da capela” (Zagonel, Carlos A. Igreja e imigração italiana. POA, Livraria Sulina, 1975. p. 54). Configurou-se, desta forma, a figura do “padre leigo”.

     Em 1890 chegaram os imigrantes poloneses para a região de Dom Feliciano. Desde logo se preocuparam em construir uma capela e uma escola. A instrução era feita por um membro da comunidade “que soubesse ler, escrever e fazer as quatro operações da aritmética” (Stawinski, Alberto. A presença da Igreja na imigração polonesa do RS. Teocomunicação. POA: PUC, n 37, agosto de 1977). Na ausência do padre, as celebrações dominicais  eram presididas pelo presidente da comunidade ou  pelo professor.

      As primeiras paróquias criadas no território que atualmente é abrangido pela Diocese de Santa Cruz do Sul foram: Nossa Senhora do Rosário de Rio Pardo (1768), Santa Bárbara de Encruzilhada do Sul (1799), São José de Amaral Ferrador (1822), São João Batista de Santa Cruz do Sul (1859), Nossa Senhora da Candelária (1876), Santo Inácio de Lajeado (1881), São Sebastião Mártir de Venâncio Aires (1884), Nossa Senhora de Czestochowa de Dom Feliciano (1891), São Pedro de Encantado (1896).

      A Diocese de Santa Cruz do Sul, desmembrada de Porto Alegre, foi erigida em 15 de novembro de 1959. Para bispo foi nomeado Monsenhor Alberto Frederico Etges, que até aquele momento era o assessor espiritual da JUC. A nova diocese abrangia 10 municípios e 38 paróquias. Era o período de forte florescimento da Ação Católica Especializada, sendo que na região se destacava a Juventude Agrária Católica (JAC).

      A partir de 1961, Dom Alberto começou a motivar a criação da Frente Agrária Gaúcha (FAG) em todas as paróquias, acatando uma decisão dos Bispos do Rio Grande do Sul. Em sua 2ª Carta Circular (1965), Dom Alberto insistia com cinco setores base para a Pastoral de Conjunto na Diocese, entre os quais estavam a FAG, a JAC e o setor das vocações. Para cada um destes setores deveria haver “um padre coordenador destacado em cada comarca”.
Com o fim da Ação Católica Especializada (meados da década de 1960) proliferaram os movimentos de encontro, destacando-se, na Diocese de Santa Cruz, o Cursilho de Cristandade, o Emaús e o Movimento de Schoenstatt. A partir dos meados da década de 1970, surgiram diversos grupos e pastorais que buscaram ocupar o vazio deixado pela Ação Católica Especializada, seguindo o método Ver-Julgar-Agir. Destacou-se o CETA (Centro de Treinamento para a Ação) criado pelos irmãos maristas a partir da FAG, que promoveu vários Cursos de Base com jovens das comunidades nos anos de 1977 a 1980. Entre as pastorais se destacaram a Pastoral da Juventude, a Pastoral Operária e a Pastoral Rural.

     Uma das prioridades de Dom Alberto foi o cultivo das vocações sacerdotais. No seu tempo foi construído o Seminário São João Batista de Linha Santa Cruz, que motivou grande número de ordenações ao sacerdócio no final dos anos 70 e início dos anos 80. Como conseqüência deste trabalho também se assumiu a Igreja-Irmã de Diamantino, no Mato Grosso (hoje, Diocese de Sinop), onde a Diocese mantém permanentemente de 4 a 5 padres. Além disso, os bispos das dioceses de Dimantino e Sinop são oriundos do clero da Diocese de Santa Cruz.

     Desde 1986, a Diocese é presidida por Dom Aloísio Sinésio Bohn, que contribuiu para que Santa Cruz abrisse suas portas para a Igreja do Rio Grande do Sul e do Brasil. No seu período surgiram os centros de formação: Centro Diocesano de Vocações (CDV), Centro Diocesano de Pastoral da Juventude (CDPJ), Centro Diocesano de Pastoral no Mundo do Trabalho (CDPMT) e Centro Diocesano de Formação Pastoral e Teológica (CDFPT). A Diocese acolheu vários encontros da Igreja no Rio Grande do Sul: Encontro Intereclesial de CEBs (1990), Romaria da Terra (1991 e 2005), Romaria do Trabalhador (1997), Encontro Estadual de Jovens (1998) e Seminário de Alternativas à Cultura do Fumo. A Igreja diocesana também assumiu mais decididamente o apoio aos movimentos populares, mais especificamente ao MST e ao MPA. Os assentamentos de terra em Encruzilhada do Sul tiveram, na Igreja Católica local, um parceiro permanente. A divulgação das sementes crioulas e a Escola de Jovens Rurais são uma das marcas da Pastoral Social. Na área das comunicações, a Diocese conta com o Jornal Integração de circulação mensal, e a Rádio Santa Cruz, adquirida pela Diocese em 2002.

     Também desde 2002, a Diocese promove, anualmente, a Romaria da Santa Cruz. É um momento forte de concentração popular, onde se busca firmar uma identidade diocesana em torno da Santa Cruz. A Escola Diocesana de Diáconos é outra iniciativa que está dando resultados, sendo que no final de 2006 a diocese já contava com 17 diáconos permanentes. Além disso, a Diocese trabalha com ministros extraordinários do batismo, ministros da comunhão, da esperança e da palavra, sendo que devem estar em atuação, no momento, mais de mil ministros.

Fonte de pesquisa: HAMMES, Roque. Igreja Católica, Sindicatos e Movimentos Sociais: quarenta anos de história projetando luzes para a defesa e promoção da vida na região. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2003. 190 páginas.


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