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Índios terão espaço especial durante o I Fórum da Igreja Católica
Roberta Machado da Rosa

            Representantes das tribos Guarani, Charrua e Kaingang terão um espaço especial no I Fórum da Igreja Católica. Este espaço está sendo pensado para que os grupos indígenas possam, além de mostrar sua cultura e tradição, comercializar seu artesanato. O Sr. Roberto Liebgott, membro do Cimi Sul, nos conta como está sendo feita esta preparação.

 

Por que trazer os grupos indígenas ao I Fórum da Igreja?

Roberto Liebgott: Os Povos Indígenas foram os primeiros habitantes desta terra denominada de Brasil e conseqüentemente no que chamamos hoje de Rio Grande do Sul. Foram também os primeiros a receberem os missionários católicos que vieram em
missão ao nosso país. Portanto, foram os primeiros sujeitos da "evangelização". Mas ao longo do tempo estes povos foram perseguidos, violentados e dizimados pelo processo colonizador. Passados mais de quinhentos anos, estes povos, apesar de toda violência,
mantém-se resistentes e buscam a construção de um futuro de justiça e liberdade.

Lutam por respeito, direitos e por um pedaço de terra. E nossa Igreja tem um compromisso histórico com estes povos e nada mais justo do que reservar-lhes espaços de manifestação cultural, religiosa e política. E o Fórum é um evento importante para que os indígenas Guarani e Kaingang possam expressar a sua realidade e que a população católica os veja e com eles estabeleça um contato de solidariedade e de compromisso com suas lutas, de modo especial para que tenham vida e terra.

Hoje no Rio Grande do Sul vivem três povos indígenas: Os Kaingang com uma
população estimada em 30 mil pessoas; os Guarani pelo menos 4 mil pessoas;
os Charrua, um grupo que ressurge e reivindica o direito ao reconhecimento
étnico.

A maior parte das terras destes povos não estão demarcadas em definitivo. No
que se refere aos Guaranis, a situação é grave. A maioria dos  grupos familiares vivem em acampamentos na beira das estradas, sem terra e sem receber uma assistência digna por parte do Estado Brasileiro.

 

O que será exposto durante o Fórum?

Roberto Liebgott: Serão expostos artesanatos que são confeccionados para a comercialização. Os Kaingang têm como base de comercialização as cestarias, que são confeccionadas a partir do cipó e da taquara. Os Guarani têm como base a escultura em madeira e também a confecção de cestarias com fibras de  taquara. Vale ressaltar que no Rio Grande do Sul a fonte de subsistência dos Guarani e Kaingang é a produção e comercialização do artesanato, bem como do cultivo de pequenas roças.

 

Como acontece a divisão entre os grupos?

Roberto Liebgott: O que devemos compreender é que cada povo indígena é  portador de uma  identidade própria, ou seja, eles têm cultura, língua, crenças e costumes diferentes uns dos outros. O Kaingang é diferente do Guarani, que é diferente do Charrua, que é diferente do Xokleng, que é diferente do Xavante. Cada povo tem uma história construída, que se cruzou e cruza com as demais histórias de outros povos e com a história de nossa sociedade. Isso significa dizer que os valores de um povo são construídos dentro de sua realidade e dinâmica de vida, a partir de seus costumes, crenças, tradições, organização social e política. E a nossa Constituição Federal em seu artigo 231 reconhece as diferenças e manda que sejam respeitadas pela nossa sociedade.

Por isso, devemos desmistificar nossa visão e compreensão, e olhar para os
povos indígenas como sendo de culturas diferentes, que não são todos iguais
e nem devemos imaginar ou querer que sejam como a gente. E, portanto, devem
ser respeitados nas suas especificidades e diferenças.

 

Estes grupos estão cadastrados?

Roberto Liebgott: Estão cadastrados os Kaingang e os Guarani. Os Kaingang vivem em Porto Alegre e os Guarani no entrono da cidade. Vale destacar que existem centenas de famílias indígenas que moram nas cidades e que reivindicam do poder
público espaço para viver e para trabalhar, além de assistência diferenciada. São direitos que eles têm, no entanto o poder público se nega a reconhecê-los.

Os Guarani e Kaingang além de exporem seus produtos para comercialização vão
apresentar cantos e danças tradicionais. Os Guarani apresentarão cantos, que
são eminentemente religiosos. As músicas e cantos são sempre voltados para o
sagrado, numa perspectiva da construção de um mundo de justiça, uma terra sem males. Já os Kaingang apresentarão danças rituais que representam a luta e a resistência deste povo ao longo deste mais de 500 anos.


O que esperar de resultado deste Forum?

Roberto Liebgott: Esperamos um comprometimento maior com as lutas destes povos de modo especial pela garantia das terras. Nossa Igreja e toda a sociedade deve
conhecer um pouco mais estas realidades, envolver-se com ela e dela participar solidariamente.




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