No dia de finados lembro-me com saudades de pessoas boas como minha mãe, meu pai e João XXIII. Lembro-me de pessoas serenas como Dom Alberto e do tio José. Este, aliás, morreu depois de participar de uma Missa, de receber a comunhão e a unção dos enfermos. Abriu-se num sorriso tão lindo, que minha mãe não acreditou que ele morrera. Quando ela viu (porque não respirava!) que estava morto, exclamou: “Filho, peça a Deus que eu possa ter uma morte tão feliz”!
O Dia de Finados para mim é dia de esperança. Na Alemanha vi muitas camisetas com a frase de Bento XVI: “Quem crê, não está sozinho” (Wer glaubt, ist nie allein). A fé abre uma janela, um horizonte para um mundo que fica além. São os dias que nós não vimos, mas que abraçamos na esperança, porque prometidos. “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano não percebeu, isto Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9).
O apóstolo Pedro recomendou: “Lançai sobre Ele (Deus) a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós” (1 Ped 5,7). Aliás, Jesus, no alto da cruz, recitou o salmo 30: “Em vossas mãos Senhor, entrego o meu espírito, porque me salvareis, ó Deus fiel” (Sl 30,6).
Lembro também que fazemos parte de um povo, de um corpo, o Corpo Místico de Cristo, onde somos solidários. Quando eu era menino rezei todos os dias pela conversão do sanguinário Josef Stalin. Que ele se converta e se salve. Agora, estou ansioso vê-lo com Deus, pela graça de Jesus Salvador. Ouvi falar que não poucas pessoas experimentam na hora da morte, na hora de partir, a plena maturidade; deixam cair a máscara e partem com plena autenticidade.
Dia de finados, nós que estamos a caminho, oramos pelos que encerraram a jornada aqui, neste vale de lágrimas.
Recomenda-se oração pelos falecidos. Os padres podem rezar três missas. Ao povo concedem-se especiais dons espirituais (indulgências) ao visitarem o cemitério e igrejas e orarem pelos fiéis defuntos.
Dia de finados é também um dia de reflexão. Quem disse que a única certeza da vida é a morte? Vale neste dia de finados mergulhar em si mesmo e conferir a sede do infinito, perguntar quem somos, para onde vamos. Para que não caia sobre nós a sentença do Mestre: “Insensato, nessa mesma noite ser-te-á reclamada a alma” (Lc 12,20).
O dia de finados é tempo de renovar a fé em Cristo ressuscitado: “Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. Aquele que crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre” (Jo 11, 25-26).