A conferência "A Vida e a Missão da Igreja na História do Rio Grande do Sul", que contou com a participação de mais de 5 mil pessoas, abriu os trabalhos do 1º Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul que teve início nesta manhã (20) e se estende até domingo (23), na PUC, em Porto Alegre. A presença da igreja católica no Estado, mostrando os acontecimentos históricos, desde o início da evangelização dos povos indígenas até os dias atuais, foi apresentada pelos cinco painelistas do evento: Padre Vital Corbellini, Dom Zeno Hastenteufel, Padre Eduardo P. Moesch, Frei Aldino Segala e Dom Jayme Chemello.
O Padre Vital Coberllini, que é doutor em Teologia e Ciências Patrísticas e professor de história da Igreja na PUC, abordou a história da igreja e evangelização no Rio Grande do Sul, que foi marcada pela presença dos missionários e a evangelização dos povos indígenas. Segundo ele, os missionários conseguiram um diálogo com os povos indígenas, que tinham suas crenças na possibilidade de uma terra sem mal e a existência de um Deus Supremo. Coberlline destacou o trabalho do grande mártir dos povos indígenas no Estado, que foi Sepé Tiarajú, e a organização da Romaria da Terra, que surgiu para lembrar Os Sete Povos das Missões e a questão da terra.
A presença e a organização da igreja no período colonial foi o tema apresentado pelo Padre Eduardo P. Moesch, que é doutor em Teologia Sistemática e professor da PUC/RS. Segundo ele, a história eclesiástica no Rio Grande do Sul foi marcada pelo regime do padroado, através da Ordem de Cristo, que garantia aos reis todas as responsabilidades religiosas e a cobrança e administração do dízimo. Conforme o padre Eduardo, o grande problema do padroado foi a falta de autonomia da igreja, pois tudo era controlado pela Coroa Portuguesa, e, como foi entendido como um contrato só poderia ser rompido com a concordância das duas partes.
Dom Zeno Hastenteufel, Bispo de Novo Hamburgo e doutor em História Eclesiástica, deu continuidade a trajetória histórica da presença da igreja no Estado falando como ficou a igreja católica depois da independência do Brasil. Ele destacou que no início do século XIX, a igreja no Rio Grande do Sul pertencia a diocese do Rio de Janeiro, o que explica o abandono em função da grande distância. Com a proclamação da república, a situação de abandono foi ainda maior, pois a igreja gaúcha também ficou separada da sede. Em 1948, começou uma nova fase com a criação do Bispado, com sede na Paróquia Madre de Deus, em Porto Alegre. Dom Zeno destacou esse como o período em que se iniciou a organização da igreja que temos hoje, com as construções de novas paróquias, reforma do clero, a catequese, a criação de novos seminários e outros. "O RS passa a ser um verdadeiro celeiro de vocações", acrescentou ele.
Proclamação da República gerou mudanças na igreja
O significado da proclamação da república para a igreja no RS foi a abordagem apresentada pelo Frei Aldino Segala, que é doutor em História Latino-americana e professor da Unisinos. Segundo ele, no final do século XIX o Estado e a Igreja passam por profundas transformações, que são marcadas pela chegada dos imigrantes, o início da industrialização, a liberdade de religião (o catolicismo deixa de ser a religião oficial), entre outros. Nesse novo cenário, explica ele, a igreja sem a submissão do controle do Estado passa a realizar uma série de reformas e surge um novo catolicismo mais vinculado com Roma.
O bispo de Pelotas, Dom Jayme Chemello, encerrou a conferência sobre a Igreja no RS após o Concílio Vaticano II. Ele afirmou que o Concílio do Vaticano II representou uma mudança muito grande para a igreja, especialmente no que diz respeito a constituição dogmática. O bispo destacou que houve uma mudança na estrutura da igreja, passando de uma instituição rigidamente hierárquica, para uma igreja mais do povo de Deus". Foi a partir daí que aconteceram mudanças nas vestimentas do clero, na celebração da liturgia, a eucaristia ganha um novo valor. "Até chegarmos ao que temos hoje, a igreja avançou e está se tornando uma igreja mais pastoral, mais adequada ao povo que mora aqui. A igreja está retornando ao inicio do cristianismo e se voltando para evangelização", constatou Dom Jayme.
A próxima Conferência do 1º Fórum da Igreja Católica acontecerá às 16h, no auditório principal do prédio 40, e terá como tema "Mudanças de Época, época de mudanças? Novos cenários para a vida e a missão da igreja no Estado".